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Jan 11

LINDO TEXTO ESCRITO PELO PROFESSOR DE LINGUA PORTUGUESA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REY : JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA RESENDE!

 

Este texto nos foi enviado pela amiga Rita, lá de Rio Claro/SP, Brasil, e veio em formato power point, que pretendíamos transformar no Share
(www.slideshare.com  ), para poder fazer a postagem, como o original, pois seu fundo tem lindas fotos da cidade de São João Del Rey, mas,  infelizmente, o Share não aceitou o formato!

 

 

"Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…
Que saudade do compadre e da comadre!

 


Texto de José Antônio Oliveira de Resende, professor do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade de São João Del-Rei.

 

 

 

 

 

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publicado por Bete do Intercambiando às 18:37

Que bom ter postado essas recordações!
Creio que a nossa geração ainda vivenciou momentos desses...eu...sim...
Hoje, as "visitas" podem fazer-se noutros cenários mas nós, os jovens desse tempo, aprendemos o significado da verdadeira amizade e continuamos a alimentá-la mesmo por estas vias!!!
Belisa Vaio a 24 de Janeiro de 2011 às 19:02

Quando criança vivenciei estes momentos, e, confesso, eram maravilhosos...Hoje, não acho momento para ir à casa dos amigos, fico acanhada, com medo de incomodar!...Adoro receber em minha casa, mas, da mesma forma, poucos são os que vem!...Aqui no Brasil, as coisas mudaram muito, neste quesito!

olá Bete,

que bom que você postou este texto. Sou como você, tenho receio de incomodar, então prefiro receber aqui em casa, mas o costume se perdeu pelo tempo, fico frustrada, porém quando encho a casa como neste Natal, sinto como se o tempo houvesse voltado um pouquinho.

A minha infância se passou na casa dos avós, cheia de tios e tias, que se foram quase todos nestes dois últimos anos. Não lamento, faz parte da vida, mas sinto uma grande saudade. Ainda bem que meus flhos puderam compartilhar a companhia deles por um bom tempo, espero que eles ensinem também para os filhos que porventura tiverem.

um grande abraço, espero a sua visita um dia destes, você derrubará dois coelhos de uma só vez hehehehe

um abraço
Anónimo a 25 de Janeiro de 2011 às 21:15

OI Rita, é você?...O Comentário saiu como anonimo!...Eu também adoro reunir e receber, e sinto muita vontade de me encontrar com vocês, ver sua mãe, que sempre foi uma pessoa que eu gostava demais de conversar!...Quando nos encontrávamos nas festas, ficávamos horas conversando!...Na verdade, foi sua mãe que me ensinou a refletir sobre os assuntos!...Só tínhamos "papo cabeça" ehehehehehehehe
Um beijo

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