Este é um blog aberto ao público, para que aqui deixe sua postagem a respeito do tema em seu país. Pode ser a Sabedoria Popular em qualquer área: Saúde, Beleza, Vida, Particularidades Culturais, Religião, Arte.

03
Set 12

Escrevi há meses atrás no Intercambiando sobre o  Maracatu, que é uma manifestação da cultura popular brasileira, mais propriamente do Nordeste. Ontem fazendo um trabalho sobre o assunto para a faculdade, encontrei um texto bastante interessante e poético, escrito provavelmente nos anos 40 por Mario Sette ( 1886/1950), um escritor Pernambucano.

Reproduzo o texto aqui, que foi extraído de seu livro " Maxombas e Maracatus", com as fotos cedidas por um amigo italiano que esteve este ano em Nazaré da Mata (PE) e registrou estes momentos. Notem que entre o texto e as fotos passaram-se aproximadamente 60 anos, mas parecem foram feitos um para o outro.

 

“Eram típicos no carnaval de antigamente. típicos, numerosos, importantes, suntuosos. No meio do vozerio da mascarada, dominando as marchas dos cordões, ouvia-se ainda longe o rumor constante, uniforme, monótono dos atabaques:

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

 

 

 

                       

Era um maracatu. Havia os que gostavam dele e esperavam-no com curiosidade. Havia os que protestavam contra a revivescência africana e resmungavam.

Bum…bum…bum…bum…

No fim da rua, por cima do povo, surgia o grande chapéu de sol vermelho, rodando, oscilando, curvando-se.

 

 

E o batuque cada vez mais perto, mais perto. Dali a pouco desfilava o cortejo real dos negros.

 

 

 

Vinha o rico estandarte com cores vivas e bordados a ouro.

 

 

Seguiam-se as alas de mulheres ostentando turbantes, saias bem rodadas, corpetes enfeitados de vidrilhos. Traziam fetiches religiosos nas mãos.

 

 

 

Depois o Rei e a Rainha, em trajes majestosos, debaixo da ampla umbela de seda encarnada com franjas douradas. Empunhavam os cetros, vestiam longos mantos, e tinham cabeças coroadas.

 

 

Na retaguarda do préstito, os atabaques, as marimbas, os congás, os pandeiros, as buzinas… As canções que todos entoavam eram ordinariamente nostálgicas, como uma ancestral saudade da terra de berço, ficada tão distante. Costumavam também cantar assim:

 

 

Bravos, Ioio! Maracatu Já chegou.
Bravos, Iaia! Maracatu vai passar.

 

Uma das mulheres empunhava uma grande boneca de pano toda engalanada de fitas, e repetia numa toada dolente:

 

A boneca é de seda…
A boneca é de seda…

 

 

 

Os maracatus paravam em frente às casas dos protetores e ali dançavam durante alguns minutos. Antigamente licenciavam-se dezenas deles e apresentavam-se com verdadeiro luxo. Nas sedes havia demoradas festas, com danças e batuques, a que assistiam os soberanos sob um dossel de veludo

 

 

Todos os negros da costa, tão comuns no Recife de ontem, aqueles mesmos que se reuniam , também, religiosamente, na Igreja do Rosário, lá se achavam para tomar parte no toques. O maracatu hoje escasseia e já não tem mais o esplendor de antes. Em menino eu tinha medo dos maracatus.

 

 

Medo e como uma espécie de piedade intraduzível. Aqueles passos de dança, aqueles trajes esquisitos, aqueles cantos dolentes, me davam uma agonia…Eu me encolhia todo, juntando-me à saia de chita de minha mãe preta, com receio talvez de que os negros do maracatu a levassem também. E eu não sabia ainda ser o maracatu uma saudade…Hoje é que a compreendo, que a sinto, recordando os maracatus de minha infância e de minha terra, vendo os carnavais de outras cidades e de outra época… Parece-me perceber ainda o batuque longínquo, cada vez mais remoto, cada vez mais indeciso, quando, na alta noite da terça-feira, no silêncio e na tristeza do Carnaval acabado, o derradeiro maracatu se recolhia à sede…

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

E lá se ia, como se foi, o meu maracatu de menino…”

 

 Texto extraído do blog http://maracatu.org.br/o-maracatu/breve-historia/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 18:36

18
Jul 12

Hoje, na novela "Amor Eterno Amor", da Redeglobo, foi o casamento de Gabriel ( pai de 3 filhas e uma sogra) e de Beatriz ( mãe de 1filho, 1 filha, mais um pai), que reunirão todos os agregados para morar sob o mesmo teto, bem no estilo " Os teus, os meus e os nossos".

 

O casamento foi de grande emoção, com a filha de Gabriel, Gabi, dona de uma linda e doce voz, cantando "SE EU QUISER FALAR COM DEUS"!

 

Como não tenho a cena do casamento gravada, busquei todas as interpretações desta linda música, cuja letra é de Gilberto Gil, e foi impossível não se emocionar com a interpretação em Capela, de nossa saudosa Elis Regina.

 

A Letra, por si só, já dá um tratado filosófico, e com esta interpretação, é de arrepiar!

 

 

 

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar 

 

Elis Regina e Gilberto Gil, numa foto da Revista Época

publicado por Bete do Intercambiando às 23:48

15
Set 11

O poeta, assim dizia:

 

Minha terra tem
palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam
como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais
flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em
cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem
palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais
não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu
lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus
que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os
primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde
canta o Sabiá."

 

Em sua Canção do Exílio, Gonçalves Dias nos brinda com este lindo poema, nos lembrando o quanto a terra natal nos parece mais bela que outras.Talvez, poque nela tenhamos passado os melhores momentos de nossas vidas: A nossa infância!

Minha terra tem Palmeiras, mas não muitas, mas tem Ipês!...Tantos que até lhe emprestaram o nome: Ipeúna, que significa, Ipê Preto, este porém, nunca vimos por lá. Mas, temos os amarelos, brancos, rosas, roxos, que colorem nossa pequena cidade, inclusive no inverno.

Mas, tem também, seringueiras solitárias,  a soltar seus galhos que se agarram à terra, e ficamos sem saber, se é um galho, ou uma raiz

Minha terra tem montanhas, que ao longe, algumas vezes nos parecem de um azul das profundezas do Oceano,

 e quando nos aproximamos, nos sentimos tão pequenos diante delas

Muitas aves gorjeiam por lá

Os sanhaços azuis 

Anus Pretos

Os verdes e alegres periquitos

Gralhas ensurdecedoras

Como diz o poeta: "minha terra tem primores", e, entre eles, os amigos que lá deixamos, e que, de vez em quando corremos matar as saudades!

Um grande abraço a eles que, carinhosamente, nos enviaram estas fotos.

Com excessão do Ipê Amarelo, enviado por outro amigo querido, o Zé Zuppani, todas as outras fotos são das cercanias de Ipeúna/SP/Brasil

E o sabiá, ainda não foi desta vez!

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 02:39

04
Abr 11

Tenho falado lá no Intercambiando sobre meus novos amigos, jovens ( 16, 18 anos), e do quanto  tem me feito bem conviver com eles, e observar a gama de interesses e de talentos que os envolve!...Estudo com eles, os observo, e vejo neles,  vencedores!

 

Mas, este, que aqui posto um poema, hoje, Zé Zuppani, jovem também, não estudamos juntos!....Conheço-o pessoalmente, de uma única vez, mas seus trabalhos com fotografia, quando os recebo é sempre uma agradável surpresa...Imagens captadas por olhos experientes e talentosos.

 

Já publicamos aqui mesmo,  no Sabedoria, um trabalho seu!...Tem mais alguns trabalhos lá nas Mil e uma faces do Brasil , também!....Mas, aos que quiserem ver seu talento e da família toda ( pai e irmão), por completo, visitem o http://www.fotonatural.com.br  . Ah!...Ele tem um blog também http://infotoarte.blogspot.com/

 

Mas, vamos ao poema, que tenho certeza, gostarão!

 

O nome do poema é VEGETARIAMOS

                                                                                 

 

                                                                                           

sol,

tanto e grande sol!

fama de astro, de drama, em chama.

raios de energia, geração de vida no planeta estufa.

folhas e mais folhas. Verdes folhas molhadas de chuva!

lindos pedaços verdes de poderosíssima evolução. Da luz se faz

alimento aos bichos e nós...bichos. Frutificamos da energia solar.

verdadeiros frutos dessa copa hão de vir, é época. Porém, antes,

lindas flores a desabotoar; coloridas de delicadeza. Néctar

aos visitantes que de tamanha sede não percebem o que

estão a fecundar. Sim, os recomendáveis frutos

de nossa dieta. Lambuzados em suculência e

deliciado pelos frutos esquecemos suas

sementes ao chão. Germinam

novos troncos.

tronco casca,

seguro forte.

casca e látex,

seiva de lucro.

madeira de lei

sem lei. Início do

fim. Madeira imóvel

aos nossos móveis, um

eterno monumento à morte.

esperança! raízes filtram o caos,

a lama. água; terra; crianças. nossa

ultima raiz.

 

 

 

 Este é um de seus trabalhos fotográficos que gosto muuuuiiittto mesmo!

 

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 22:43

27
Nov 10

Gente, estou embasbacada!...

 

Pedro Cassiano Aguilar apareceu aqui no blog, e nos deixou seu espetacular poema, por inteiro!

 

Ele disse: Não sou um personagem fictício. Eu existo... eis o meu poema "Areias do Tempo":


Cada volta que o ponteiro do relógio dá
Acelera o passo da minha vida
Encurta minha história e antecipa meu fim
Que tem hora marcada pra chegar
Mas que eu desconheço

Cada um de nós é como um livro
Que guarda sua própria história
Com início, meio e fim
Nosso corpo é só uma casa onde a alma habita
E a morte é o último vôo de nossa alma
Que parte por não caber mais nessa casa
Como se quisesse começar uma nova história, um novo livro

Cada minuto que passa pode ser tudo que me resta para viver
Mas eu desperdiço o tempo como se ele fosse infinito
Penso, logo sei que existir é uma circunstância
Que a vida acontece num sopro de Deus
E a chama permanece acesa enquanto estamos vivos

Cada pessoa tem uma criança aprisionada dentro de si
A criança que fomos nunca muda
Nosso corpo é que envelhece ao redor dela
Eu queria viver minha infância toda outra vez
Mas a ampulheta do tempo eu não posso virar
Pedro Cassiano Aguillar a 27 de Novembro de 2010 às 21:16

 

Quando escrevi o Post " A Comoção por uma frase", não encontrei o menor vestígio dele, e supus que fizesse parte do imaginário de Elizabeth Jihn!

 

Pedi a ele que nos dê uma prova de sua existência ( rsrsrsrsrsrs)..... isto aqui está até parecendo coisa de outro mundo!

 

Pedro Cassiano Aguillar, o mundo quer te ver!

 

 

 

 

Segue link de seu comentário:   http://sabedoriapopular.blogs.sapo.pt/18317.html?thread=52621#t52621

 

 

Como Ganhar Dinheiro na Internet
publicado por Bete do Intercambiando às 23:47

20
Nov 10

 A genialidade de dois poetas:  Vinicius de Moraes  com seu Inesquecível "SONETO DA FIDELIDADE"

 e Zé Zuppani, que faz poesia com as imagens:

  

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

 

 

 

De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento.    


Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento.  

 


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

 

 

Para saber mais sobre o trabalho deste poeta das imagens, visite : www.fotonatural.com.br

 

 

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 22:08

Março 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


links
PESQUISAR
 
VISITANTES

contador de visitas
NOSSOS AMIGOS
subscrever feeds
blogs SAPO