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25
Jul 10

Ontem, minha amiga Belisa, falando sobre as "alcunhas", fez nos lembrar das peculiaridades de nossa pequena cidade de Ipeúna-SP-Brasil.

Como toda cidade pequena, o progresso por aqui sempre demorou muito a chegar, e até bem pouco tempo atrás ( uns 15 anos mais ou menos), não tínhamos supermercados, como se conhece hoje....Tínhamos as "vendas". Era a venda d'Oride, a venda do Cilico, a venda do Juca.

Das três, a que restou, a d'Oride, é hoje um ótimo supermercado, pertencente à rede Smart....Oride, Eurides, na verdade, infelizmente já faleceu. Os filhos é que tocam o Supermercado.

Mas, ainda hoje, quando se precisa de alguma coisa de lá, a gente fala:...Vou até a venda d'Oride!...E assim  será até que esta geração termine!!!!!

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 22:04

Andei ausente, mas vou dar-lhes a oportunidade de ler este texto que encontrei nas minhas andanças pela rede. Desfrutem. Se puderem buscar no Google, alguém fez uma linda apresentação em powerpoint, chama-se "uma saudade", tem lindas imagens de São João Del Rey, cidade histórica mineira, peculiar e pitoresca, emoldura com louvor este belo texto.

Visitas, contato visual, expressão corporal, cartas e tempo para desfrutar da companhia dos amigos. Situações tão distantes, quase inimagináveis nos tempos atuais.

O professor de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João Del-Rei, José Antônio Oliveira de Resende, resumiu todo esse sentimento muito bem no texto Saudade, que trazemos hoje, num estilo bem mineiro, como lembrança para os Baby Boomers, um passado distante para a Geração X e uma quase fantasia para a Geração Y.

Saudade

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…

Que saudade do compadre e da comadre!

Texto de José Antônio Oliveira de Resende, professor do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade de São João Del-Rei.
rita a 11 de Janeiro de 2011 às 18:54

Rita
Sua danadinha, por onde andaste menina?!!!!E que texto espetacular este que nos enviaste!...Será que não conseguias o power point dele, para podermos publicá-lo, já que tem fotos de São João del Rey, que por ser uma cidade histórica, deve ter muita coisa interessante!
Porque não vens prá cá participar do blog conosco?...Comece por esta postagem que é sensacional!...Para participar no blog, basta você abrir uma conta no Sapo e iniciar o processo!...Vai nos dar muita alegria tê-la conosco!...E sua mãe como anda?...E seu pai, está bem?
Um Beijo
Bete

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