Este é um blog aberto ao público, para que aqui deixe sua postagem a respeito do tema em seu país. Pode ser a Sabedoria Popular em qualquer área: Saúde, Beleza, Vida, Particularidades Culturais, Religião, Arte.

30
Nov 12

 

Hoje, em conversa com uma amiga sobre doces de Natal, lembrámo-nos de uns fritos tão simples, quanto saborosos: Orelhas de Padre.

Há quantos anos eu não me deliciava com elas! Já minha mãe me apaparicava com este lanche mais docinho e mais tarde eu, em tempos idos em que os filhos pequenos adoravam meter as mãos na massa, passava doces tardes de domingo a fritar orelhas e depois a vê-los saboreá-las acompanhadas de um aromático chá de limão. E o nome dos bolinhos não era indiferente ao apetite!

Pois, como o tempo vai frio e apetece sempre mimar quem temos no coração, resolvi experimentar a receita, antevendo para breve risos de alegria e recordações e muitos dedos lambuzados!

É muito simples:

Bater 1 ou 2 ovos inteiros.

Juntar uma colher de óleo, uma pitada de sal e uma colher de açúcar.

Por último e aos poucos,  farinha com fermento e um pouco de leite até obter um creme bem grosso.

Fritam-se às colheradas em óleo quente, escorrem-se em papel absorvente e ao dispôr no prato de serviço, polvilham-se com açúcar e canela.  

São deliciosas quentinhas e ótimas para um lanche de família.

Com a vantagem de até serem económicas...e a crise manda poupar!

Bom apetite!

  

 

 

 

 

publicado por Belisa Vaio às 18:00

10
Nov 12

Lindo vídeo produzido pelo Centro Espírita Fraternidade de Avaré/SP/Brasil, na voz de Moacir Reis, com um texto de Willian Shakespeare.

 

publicado por Bete do Intercambiando às 02:18

25
Out 12

 

Como o nome deste Blog sugere, seria suposto que, basicamente,  aqui fossem abordados temas variados da cultura dos povos...
Assuntos leves e interessantes que despertassem a curiosidade de quem nos visita, numa partilha de sabedoria popular, aquela com que aprendemos a mover-nos nesta existência terrestre...
Com muita seriedade, mas com a alegria de transmitir humildes conhecimentos, sem pretensões de grande erudição, apenas com a evidência da constatação de que, é bem verdadeiro o saber que diz: "Voz do povo...voz de Deus"!...
Ora, acontece que ultimamente me tenho questionado bastante sobre o conteúdo dos temas a abordar neste espaço...não que se tenha esgotado a tradição, mas porque os tempos de hoje exigem uma atenção que não se compadece com distracções...
Diz-se que "Em tempo de guerra não se limpam armas". De facto os dias de hoje, negros de guerra e sem horizontes à vista, pedem-nos uma permanente atenção às investidas de quem nos está a desgovernar. Todo o tempo é precioso para estar alerta e exigir aos órgãos de soberania, que não façam do povo português um povo de cobaias, criaturas indefesas com as quais se divertem a testar mais uma qualquer e experimental teoria económica.
Eu sou por natureza uma pessoa de boa Fé e, por isso mesmo, gostaria de acreditar que ainda há políticos honestos e com espírito de missão que tudo fazem para o bem comum.
Sei também e por experiência própria, que "A Fé move montanhas". Mas temos que fazer a nossa parte para ajudar e dar um empurrão!
Como "Desistir é próprio dos fracos" vamos continuar a caminhada, "fazendo das tripas coração", ou seja, superando-nos com criatividade e dando o melhor de nós próprios. Cumprindo os nossos de deveres, com cidadania democrática, para também podermos exigir que nunca nos retirem os nossos direitos, entre muitos  o de manifestar a nossa  indignação e com a Sabedoria de um povo que não quer "deixar os seus créditos por mãos alheias".
publicado por Belisa Vaio às 16:29

03
Set 12

 

 

Era esta o título de uma das obras de Odette de Saint-Maurice, dedicada às férias da família Macedo!

Como já disse em tempos, aqui, esta escritora marcou uma época, pelos valores que transmitiu na sua literatura juvenil, a uma geração de adolescentes a viver os anos dourados da década de 60...

Bons tempos os meus!

Agora e quando chega o mês de Setembro...vem-me sempre este título à mente...

Já o disse várias vezes...é o meu mês preferido...

O brilho do sol deixa de ser tão intenso, começa a nostalgia das primeiras folhas a cair - o que não é lá muito agradável para quem tem jardins - as cores começam a harmonizar-se em tons dourados para nos dar um dos espectáculos mais deslumbrantes que conheço, as madrugadas arrefecem e na hora mágica do entardecer o convite é para recolher ao aconchego do lar.

E voltam sempre as boas recordações das férias da minha meninice...

Setembro era "aquele" mês ...o mais desejado! Porquê? Porque em Julho e Agosto, nós, os jovens andávamos meio separados dos amigos, por força das férias da família na praia...ia-se para a Figueira, Mira, Costa Nova, Nazaré, S.Pedro de Moel, enfim...

Depois regressava-se ao aconchego do lar,  bem como aos amigos de sempre...mais aos que viviam em Lisboa e também vinham juntar-se a nós naquele mês, poisando em casa dos avós ou dos primos!  

As aulas começavam só em Outubro e aqueles dias aproveitavam-se bem a saborear a vida ainda despreocupada.

Talvez houvesse algumas tarefas escolares para preparar o ano lectivo, mas havia muito tempo para passeios de bicicleta, piqueniques, ler...ler...ler..., namorar e dançar ao som de pilhas de discos de vinil...lembram-se quando o disco riscava?...

E, lá pelo dia de São Mateus, chegadas as vindimas, toca a ajudar...não tanto pelo amor à tarefa - que deixava as mãos peganhentas de mosto -  mas pela alegria dos dias! E quem não gostava de dar uma volta no carro dos bois?

Ainda sinto o cheiro das maçãs vermelhinhas e dos peros bravo-esmolfe! As nossas vinhas tinham muitas árvores de fruto e nesses tempos a fruta cheirava tão bem!... Hoje...as nossas crianças não têm a felicidade de saber o que isso é...

Ainda há Setembro, mas os tempos são outros..

Melhores ou piores?

...cabe a cada um de nós vivê-los felizes!

publicado por Belisa Vaio às 19:58

Escrevi há meses atrás no Intercambiando sobre o  Maracatu, que é uma manifestação da cultura popular brasileira, mais propriamente do Nordeste. Ontem fazendo um trabalho sobre o assunto para a faculdade encontrei um texto bastante interessante e poético, escrito provavelmente nos anos 40 por Mario Sette ( 1886-1950), um escritor Pernambucano.

Reproduzo o texto aqui, que foi extraído de seu livro " Maxombas e Maracatus", com as fotos cedidas por um amigo italiano que esteve este ano em Nazaré da Mata (PE) e registrou estes momentos. Notem que entre o texto e as fotos passaram-se aproximadamente 60 anos, mas parecem foram feitos um para o outro.

 

“Eram típicos no carnaval de antigamente. Típicos, numerosos, importantes, suntuosos. No meio do vozerio da mascarada, dominando as marchas dos cordões, ouvia-se ainda longe o rumor constante, uniforme, monótono dos atabaques:

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

 

                       

Era um maracatu. Havia os que gostavam dele e esperavam-no com curiosidade. Havia os que protestavam contra a revivescência africana e resmungavam.

Bum…bum…bum…bum…

No fim da rua, por cima do povo, surgia o grande chapéu de sol vermelho, rodando, oscilando, curvando-se. 

 

E o batuque cada vez mais perto, mais perto. Dali a pouco desfilava o cortejo real dos negros. 

  

 

Vinha o rico estandarte com cores vivas e bordados a ouro.

 

Seguiam-se as alas de mulheres ostentando turbantes, saias bem rodadas, corpetes enfeitados de vidrilhos. Traziam fetiches religiosos nas mãos.

  

Depois o Rei e a Rainha, em trajes majestosos, debaixo da ampla umbela de seda encarnada com franjas douradas. Empunhavam os cetros, vestiam longos mantos, e tinham cabeças coroadas.

 

  Na retaguarda do préstito, os atabaques, as marimbas, os congás, os pandeiros, as buzinas… As canções que todos entoavam eram ordinariamente nostálgicas, como uma ancestral saudade da terra de berço, ficada tão distante. Costumavam também cantar assim: 

Bravos, Ioio! Maracatu Já chegou.
Bravos, Iaia! Maracatu vai passar.
 

Uma das mulheres empunhava uma grande boneca de pano toda engalanada de fitas, e repetia numa toada dolente:

A boneca é de seda…
A boneca é de seda…

 

Os maracatus paravam em frente às casas dos protetores e ali dançavam durante alguns minutos. Antigamente licenciavam-se dezenas deles e apresentavam-se com verdadeiro luxo. Nas sedes havia demoradas festas, com danças e batuques, a que assistiam os soberanos sob um dossel de veludo

 

Todos os negros da costa, tão comuns no Recife de ontem, aqueles mesmos que se reuniam , também, religiosamente, na Igreja do Rosário, lá se achavam para tomar parte nos toques. O maracatu hoje escasseia e já não tem mais o esplendor de antes. .

 

 Em menino eu tinha medo dos Maracatus

Medo e como uma espécie de piedade intraduzível. Aqueles passos de dança, aqueles trajes esquisitos, aqueles cantos dolentes, me davam uma agonia…Eu me encolhia todo, juntando-me à saia de chita de minha mãe preta, com receio talvez de que os negros do maracatu a levassem também. E eu não sabia ainda ser o maracatu uma saudade…Hoje é que a compreendo, que a sinto, recordando os maracatus de minha infância e de minha terra, vendo os carnavais de outras cidades e de outra época… Parece-me perceber ainda o batuque longínquo, cada vez mais remoto, cada vez mais indeciso, quando, na alta noite da terça-feira, no silêncio e na tristeza do Carnaval acabado, o derradeiro maracatu se recolhia à sede…

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

E lá se ia, como se foi, o meu maracatu de menino…”

Texto extraído do blog http://maracatu.org.br/o-maracatu/breve-historia/

Fotos: Ricardo Iorio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 18:36

21
Ago 12

Nos dias de hoje - e para amenizar os dissabores que estamos a viver numa época menos promissora - relembrar as vivências dos anos 60 é privilégio de uma geração que teve direito a sonhar com ideais elevados e a viver muitos deles com toda a realidade possível!

"Make love, not war" foi o lema de muitos jovens que nos anos 60,  manifestavam por todos os meios, o seu desejo de construir um mundo melhor e, a música que nos legaram,   foi talvez a herança que melhor guardamos nos nossos corações e que, sempre que a ouvimos nos faz arrepiar. 

Scott Mackenzie partiu aos 73 anos, eternizando-se  num hino aos saudosos tempos em que se usavam flores na cabeça e todos os caminhos levavam a San Francisco!

Que repouse em paz, como a paz que semeou nos nossos corações !

     

publicado por Belisa Vaio às 19:24

18
Jul 12

Hoje, na novela "Amor Eterno Amor", da Redeglobo, foi o casamento de Gabriel ( pai de 3 filhas e uma sogra) e de Beatriz ( mãe de 1filho, 1 filha, mais um pai), que reunirão todos os agregados para morar sob o mesmo teto, bem no estilo " Os teus, os meus e os nossos".

 

O casamento foi de grande emoção, com a filha de Gabriel, Gabi, dona de uma linda e doce voz, cantando "SE EU QUISER FALAR COM DEUS"!

 

Como não tenho a cena do casamento gravada, busquei todas as interpretações desta linda música, cuja letra é de Gilberto Gil, e foi impossível não se emocionar com a interpretação em Capela, de nossa saudosa Elis Regina.

 

A Letra, por si só, já dá um tratado filosófico, e com esta interpretação, é de arrepiar!

 

 

 

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar 

 

Elis Regina e Gilberto Gil, numa foto da Revista Época

publicado por Bete do Intercambiando às 23:48

09
Jul 12


Coimbra viveu nos últimos dias,  momentos de grande elevação espiritual, com a descida à cidade da Rainha Santa Isabel. 

Nascida em Aragão (hoje uma região de Espanha), casou aos 12 anos com o nosso jovem rei D. Dinis, o Lavrador. Do que aprendemos, dum modo simplista,  da História de Portugal, foi esposa e mãe dedicada e sofrida, quer por causa das aventuras amorosas do marido, quer apaziguando  várias vezes as guerrilhas entre o marido e o filho D. Afonso IV, que veio a reinar como o Bravo. 

Senhora muito piedosa, após o falecimento do rei,  recolheu-se ao mosteiro de Santa Clara-a-Velha junto das freiras clarissas e viveu sempre dando testemunho da bondade que lhe ía na alma. Creio até que não há no mundo um português que não guarde no coração a imagem da nossa Rainha no momento sagrado em que se transformava o pão em rosas...o Milagre das Rosas!

Na nossa cidade, como é de tradição, as celebrações em sua honra acontecem em anos pares, por volta do dia 4 de Julho (data em que faleceu) e os pontos altos são as procissões que se realizam na noite de 5ª.feira, em que a nossa Rainha desce do seu mosteiro em Santa Clara,  para ficar mais perto dos crentes numa igreja da cidade - este ano o mosteiro de Santa Cruz -  e na tarde do domingo seguinte, quando regressa ao seu lar, na colina sobranceira ao rio Mondego e onde nos fica a abençoar.

Assistir a esses eventos é testemunhar a fé e a reverência que milhares de pessoas devotam à Raínha Santa.

Este ano,  os  tempos de incerteza e angústia que vivemos, encontravam-se espelhados em mãos postas e olhos suplicantes, como que a pedir que  milagres de rosas voltem a acontecer e a prática da caridade que ela nos ensinou, abranja todos os que mais precisarem.

Partilho aqui a sua saída da igreja de Santa Cruz a caminho de Santa Clara, saudada pela fé de milhares de pessoas.       


publicado por Belisa Vaio às 14:30

29
Jun 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje o Cristianismo festeja o dia de São Pedro e de São Paulo. No entanto , e não sei porquê, entre nós, só o apóstolo pescador se tornou um dos três santos populares. E lá porque Santo António abençoa os namorados e São João não lhe fica atrás, São Pedro fecha o cortejo com atribuições de mais responsabilidade! Damos-lhe o encargo de fazer chover, pedimos-lhe que um dia nos abra as portas do Céu e generoso como é,  ainda lhe sobra tempo para proteger os pescadores e as viúvas!

Reparo, entretanto que, dada a evolução dos tempos,  se ele vivesse agora,  seria também confrontado com a existência das divorciadas! Todas são filhas de Deus!

 

Posto isto e como parece que todos eles respondem ás "orações" bem humoradas das quadras populares, resolvi pôr a imaginação a trabalhar e tentar a minha sorte, dedicando estas ao porteiro do Céu...    

 

São Pedro, meu padroeiro

Trazes as chaves na mão.

Vê se encontras meu amor

Para abrir meu coração!

 

Solta-me da tua rede

São Pedro, que és pescador.

O meu coração está preso

E a sofrer por amor!

 

De pescadores e viúvas

És, São Pedro, protetor!

Olha que as divorciadas

Também querem um amor!

 

São Pedro se és meu amigo,

Fica aqui e faz chover.

Não vês que a minha fogueira,

Não pode ficar a arder?

 

 

publicado por Belisa Vaio às 07:41

23
Jun 12

 

 

Há pessoas que nascem com dons muito especiais. Não é novidade para ninguém.

Sempre admirei o meu Tio Ramiro de Oliveira, pela facilidade com que alinhava as palavras e nasciam lindas e brejeiras quadras populares. Recordo até que, nesta altura do ano de arraiais e fogueiras, não havia concurso de jornal que não ganhasse! 

Do imenso rol que se encontra nas páginas do seu livro "Pecados sem Remissão", deixo hoje aqui algumas,  dedicadas a São João:

 

S. João muito obrigado

Por tudo quanto vos devo!

Desde o anel de noivado...

Às folhinhas do meu trevo.

 

São João não quer que eu reze

Quando lhe falo em casar!...

Mas se eu não defendo a tese

Não me posso doutorar!

 

Fui tudo p'lo S.João!

Fogueira...chuva de prata!...

Andei no ar, fui balão!

Agora sou a cascata!

 

Não fossem as orvalhadas

Desta noite de fogueiras

E muitas mulheres casadas

Tinham ficado solteiras!

 

Não insistas que não posso

Ser só teu nas romarias!...

Há no Terço um Padre Nosso

Para dez Avé Marias!

 

S.João: diz com franqueza,

Se não é forte capricho

Veres tanta fogueira acesa

E ficares dentro do nicho!

 

Demos tanto...tanto espanto

Nas fogueiras, que uma vez

Por um milagre do Santo

Fomos dois...viemos três!

   

 

publicado por Belisa Vaio às 18:26

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